Do
novo estilo de representação teatral, imposto pelos
dramaturgos realistas, foi precursora a companhia viajante
organizada pelo Grão-Duque de Meningen, que exigiu a maior
exatidão de todos os detalhes cenográficos e de trajes na
representação das peças históricas de Shakespeare e
Schiller. Em Berlim, Brahm empregou o mesmo realismo meticuloso
na encenação de obras de Ibsen e Hauptmann. Realismo
meticuloso também define o Teatro de Arte de Moscou, de
Stanislaviski, estendendo-o a dicção e à elaboração psicológica
dos papéis. No primeiro decênio do século XX, essas reformas
de cenografia e da preparação dos atores generalizam-se na
Europa: os ingleses Granville-Barker e Gordon Craig, o suíço
Appia, o francês Copeau. Enfim, Maz Reinhardt em Berlim convoca
todas as artes para transformar seu palco em mundo completo,
fascinante. A partir desse momento, o cenógrafo, que parecia
destinado a papel de primeira importância, perdeu sua independência,
assim como os atores. Torna-se o ditador do teatro o diretor de
cena (metteur-en-scène, regisseur), ditadura também
caracterizará depois o cinema. Depois de 1918, essa tirania
serviu ao novo estilo expressionista: Jessner e Piscator na
Alemanha, Meyerhold, Tairov e Vakhtangov na Rússia,
Jouvert e Barrault na França, ao passo que a tradição inglesa
continuou a colocar no primeiro plano a palavra do autor.