Nos
países e literaturas em que o Expressionismo só tarde entrou,
a primeira reação contra Realismo e Naturalismo foi o
teatro poético. Só com reserva merece esse nome o teatro de
Rostand (1869-1918): "Cyrano de Bergerac" foi um fogo
de artifício verbal e um caso isolado. Em geral, vale o mesmo
para as peças de D'Annunzio, com exceção para "Figlia di
Jorio", obra nutrida de raízes folclóricas, como serão
mais tarde as de Garcia Lorca. A tendência principal do
Anti-Realismo foi a poesia simbolista, e entre os grandes poetas
simbolistas, vários escreveram peças de fundo fantástico
ou lendário, levando para o palco a poesia das sugestões sutis
e das "brumas nórdicas". O primeiro foi Maeterlinch,
que o entusiasmo de Mirabeau chamou de "Shakespeare
Flamengo"; mais tarde, voltou, em Monna Vanna, para o
teatro dos fortes efeitos no palco. Suas peças simbolistas
foram imitadas em toda a parte: ocasionalmente por Hauptmann e
Strindberg; na Irlanda, pelo grande poeta Yeats (1865-1939); mas
o maior dramaturgo do Abbey Theatre de Dublin foi Synge
(1871-1909), que sabia reunir as cores folclóricas da
terra, a poesia do enredo inventado e o espírito mordaz de sua
raça, como em "The Playboy of the Western World" (O
Prodígio do mundo ocidental). Na Rússia, são maeterlinckianas
as peças simbólicas do grande poeta Block (1880-1921).
Uma grande geração do teatro poético inicia-se com Claudel,
que de início enquadrou nas suas peças a defesa da
religiosidade católica; em "Le Soulier de Satin" (O
Sapato de Cetim), recriou forma e espírito do teatro barroco.
Enquanto isso, Montherlant tentou revivificar a forma e o espírito
clássico francês, inclusive, em Port-Royal, a atmosfera
religiosa do Jansenismo. Também de base religiosa, na
Inglaterra, o teatro de T.S. Eliot muito contribuiu para a
renascença do teatro elizabetano; mas em suas próprias peças
tentou criar uma atmosfera litúrgica: "Murder in the
Cathedral" (Assassinato na Catedral); ou então insuflar
espírito religioso à comédia de sociedade, como em "The
Family Reunion" (A Reunião de Família). O mais autêntico
teatro poético do século talvez seja o espanhol Garcia
Lorca, de tragicidade sombria e forte seiva folclórica. Outro
caminho para a superação do realismo teatral foi aberto pelo método
de conferir novo sentido, superior, às coisas da própria
realidade cotidiana. Ibsen tinha tentado esse caminho em suas últimas
peças, simbólicas. Ibseniano nesse sentido foi o italiano Ugo
Betti (1892-1953), que manteve a tendência ibseniana de crítica
social. Mas o maior representante de um "realismo poético"
foi o russo Tchekhov: teatro de atmosfera, de sugestões, de
estilo coloquial e no entanto poético, sempre con
sordina e ausência de ação espetacular. Esse teatro realístico-poético
causou funda impressão no mundo inteiro e é dos mais
representados; ms não há quase dramaturgos que tenham tido a
coragem de imitar esse estilo, intensamente pessoal.