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Teatro
Ocidental
Quase
todos nós, quando éramos crianças, acreditávamos na existência
de Papai Noel. E aos poucos, à medida que fomos crescendo e nos
tornando mais racionais, fomos descobrindo a real identidade do
"bom velhinho". Outra história também muito comum
entre as crianças está relacionada à chuva e aos trovões, que
seriam os sinais de que Deus está fazendo uma grande faxina no céu,
arrastando os móveis (trovões) e lavando a casa (chuva).
Podemos
comparar o homem primitivo a esta criança que acredita em
diversas histórias que tentam explicar o mundo e seus fenômenos
naturais. Até hoje, quando vivemos um espantoso avanço tecnológico
e científico, que nos permite um extraordinário conhecimento e
controle da natureza, não conseguimos explicar muitos dos mistérios
da natureza. Imaginem há milhões de anos atrás!
O
homem primitivo, completamente ignorante, perdido e assustado,
começa, então, a criar histórias que vão tentar explicar o
mundo e a vida. É através destas histórias que ele tenta
compreender e controlar a natureza, a vida, a morte, o nascimento,
a fertilidade do solo, a origem do universo, que para ele eram
obra dos deuses. Ao conjunto destas histórias damos o nome de
mitologia.
Uma
das mitologias mais conhecidas de todo o mundo é a cristã que
conta no seu famoso livro, a Bíblia, a história da criação do
mundo, do nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição de um
de seus principais mitos, Jesus Cristo, além de muitas outras
histórias paralelas.
No
nosso caso, que estamos começando a contar a História do Teatro
Ocidental, a mitologia que nos interessa é a grega, porque é daí
que vai surgir o Teatro, enquanto atividade estruturada e
institucionalizada.
Para
os gregos, a história da origem do universo e da vida começa com
o Caos, a personificação do vazio primordial, anterior à
criação, quando os elementos do mundo ainda não haviam sido
organizados. Do Caos grego surge Géia (ou Gaia) que é a
Terra de onde nascem todos os seres. A própria Géia gerou
Urano que é o Céu. Como podemos observar na natureza, o Céu
cobre a Terra, numa posição que para os gregos era indicativa de
uma relação sexual. Este primeiro casamento divino deu origem a Tártato
e Eros e foi imitado pelos deuses, homens e animais. Tártato
representa a outra vida, o mundo subterrâneo, o local mais
profundo, nas entranhas da terra, e também o local dos suplícios
e torturas, onde eram lançadas as almas rebeldes. Eros é
o desejo em todos os seus sentidos e quando personificado é o
deus do amor.
Da
terceira geração divina, descendente de Géia e Urano, vai
nascer Zeus, que é a divindade suprema, o deus da Luz. Zeus
é o rei dos deuses e dos homens. Ele tinha poderes extraordinários,
não só provocava a chuva, o raio e os trovões, mas também
mantinha a ordem e a justiça no mundo. Zeus, apesar de ser
um deus imortal, de poder absoluto, também possuía uma
personalidade humana, apaixonada e vingativa. Casado oficialmente
com Hera, teve, no entanto, numerosas amantes e filhos
"ilegítimos". Um destes filhos, o mais querido, era Dioniso
também chamado de Baco, que vem a ser o deus da vegetação,
da vinha, do vinho, da transformação e do teatro.
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