O grande crítico Lessing (1729-1781) acabou com a imitação do
classicismo francês na Alemanha, apontando, embora com
cautelas, o exemplo de Shakespeare. Mas nas suas próprias peças,
modelos de técnica dramatúrgica, ainda não desprezou a
maneira francesa. A influência avassaladora de Shakespeare já
se faz sentir nas obras de mocidade de Goethe, que mais tarde se
converteu a um classicismo sui generis, greco-alemão. O Fausto
é o coroamento desta fase final da vida artística do grande
poeta alemão. Embora só tenha sido contemplado na velhice,
este poema dramático acompanhou Goethe desde sua juventude e
foi o repositório das mais variadas experiências de sua vida,
tendo sido chamado a "divina comédia" do humanismo do
século XVIII. Em virtude de sua complexidade é pouco
representada fora da Alemanha.
O compromisso entre o classicismo e elementos shakespearianos
define a arte de Schiller, que passa por ser o maior dramaturgo
alemão, embora os realistas e os anti-retóricos de todos os
tempos sempre o tenham contestado. Entre os epígonos desses
dois grandes só um alcançou importância quase igual:
Grillparzer (1791-1872), o dramaturgo nacional da Áustria,
fortemente influenciado pelos espanhóis. Como romântico,
costumava ser classificado o prussiano Heinrch von Kleist; mas só
o é em aspectos secundários; é um caso inteiramente à
parte e provavelmente o maior gênio trágico da literatura alemã
(O Príncipe de Homburg). A verdade é que o Romantismo alemão
produziu numerosas peças dialogadas de grande interesse literário,
mas nenhum drama capaz de viver no palco. Pós-românticos e pré-realistas
são dois outros autores, infelizes na vida e cuja fama póstuma
passou por modificações inversas. Antigamente, Grabbe
(1801-1836) era elogiado como autor de tragédias histórico-filosóficas
e de uma comédia satírica, ao passo que Georg Büchner
(1813-1837) era menos conhecido que seu irmão, o filósofo
materialista Louis Büchner. Hoje, Grabbe não passa de uma
curiosidade literária. Mas Büchner, o autor de Woyzek, A
Mostre de Danton e da comédia Leonce e Lena, é considerado
como gênio extraordinário, desaparecido antes do tempo,
precursor do Expressionismo. Os verdadeiros representantes do
Romantismo no teatro alemão são os grandes atores da época
entre 1780 a 1840: Schröder, que introduziu as obras de
Shakespeare nos palcos de Hamburgo de Viena; Iffland, Esslair,
Anschütz, que fizeram os papéis heróicos de Shakespeare e
Schiller; Ludwing Devrient e Seydelmann, os demoníacos
representantes de papéis como Ricardo III e Shylock.