Grécia
GRÉCIA

História da Grécia

A Comédia Grega Clássica

A comédia intermediária

O "Governo dos Trinta Tiranos" teve curta duração. No ano seguinte, em 403 ac, estes foram destituídos pelo líder democrático Trasíbulo. A democracia, no entanto, nunca mais voltou a ser a mesma. A comédia continuou a ter várias restrições.

O século IV ac, que se iniciava, tinha muitas diferenças em relação à mentalidade do século anterior. Segundo o filósofo alemão Nietzche, o sentimento da decadência se instaurou em Atenas. O espírito guerreiro do século anterior sumira. Em lugar deste, na mentalidade grega, havia se instalado a concepção de procura por harmonia. Uma harmonia que se materializava no lar. O culto dos deuses havia dado lugar também a uma preocupação mais antropocêntrica.

Politicamente, a guerra do Peloponeso marcou o fim da civilização ateniense como força dominante. No século IV ac, a Grécia, como um todo, é uma potência decadente. Antes mesmo do fim deste século, no ano de 338 ac, os Macedônios, com o rei Felipe à frente, invadiam a nação.

A comédia intermediária representa essa transição. Podada e cansada da crítica política, os comediógrafos voltavam-se para outros assuntos. Naquele momento, a temática das comédias passou a girar em torno das paródias míticas, das sátiras aos sistemas filosóficos, de questões como a instabilidade das fortunas, assuntos gastronômicos etc...

É neste momento que a comédia começa a adquirir o tom da crítica de costumes. Estética e formalmente, é suprimida a parábase e diminui sensivelmente o coro.

Deste período da comédia, pouco nos chegou. Somente duas peças de Aristófanes pertencem a esta época. São elas "Assembléia de mulheres" (392 ac) e "Pluto" (388 ac). A primeira trata ironicamente da idéia de uma comunidade de bens e amor livre (aparentemente, esta concepção parecia interessar aos atenienses da época). A outra versa sobre a distribuição de riquezas.

Em "Pluto", a questão central não é mais política. Não é, igualmente, aquele Aristófanes corrosivo e crítico que encontramos. Nesta obra, vemos uma preocupação individualista, não mais aqueles manifestos da comédia antiga contra as lideranças políticas. Em "Pluto", o deboche desaparece para dar lugar a uma forma mais serena de ver o mundo. Esta é a sua última obra que se tem notícia. Há indícios, segundo alguns historiadores, de que Aristófanes teria, graças à sua longevidade, chegado a compor uma peça no estilo da nova comédia. O nome desta obra seria "Cócalo". Se ela existiu mesmo, está perdida.

A relação das obras conhecidas de Aristófanes é a seguinte:

1.      Os Babilônios (427 ac) -obra perdida-

2.      Os Arcanos (425 ac)

3.      Os Cavaleiros (425 ac)

4.      As Nuvens (424 ac)

5.      As Vespas (423 ac)

6.      A Paz (421 ac)

7.      As Aves (414 ac)

8.      Lisístrata (411 ac)

9.      As Celebrantes das Testemófórias (411 ac)

10. As Rãs (405 ac)

11. Assembléia de Mulheres (392 ac)

12. Pluto (388 ac)

13. Cócalo-obra perdida-

Outros representantes deste momento da comédia eram Antífanes, Anaxandrido, Alexis, Arquipas, Nocóstrato e Timocles. Destes, no entanto, só nos sobraram fragmentos de peças e/ou comentários. Nada que nos dê a idéia exata de sua produção. Resta-nos somente Aristófanes.

A comédia intermediária, porém, teve curta duração. Ela representou muito mais a procura por uma estética que fosse consoante com os novos tempos.

Conheça mais:

A Nova Comédia | Menandro | | Aristófanes

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